Clarividência

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TIA NEIVA! A CLARIVIDENTE!

Salve Deus!

Meu filho Jaguar! Vou contar a ti meu filho, como tudo começou dentro de mim. Sim, filho, a minha personalidade marcante, científica, não me dava trégua. Vivia a comparar se tudo ou todas aquelas visões não passavam de uma estafa mental, absurda.

Conversando com o Dr. Sayão, ele ventilou a hipótese, de que eu deveria procurar um psiquiatra. Tudo muito bem. Sai dali conformada de que tudo era da minha cabeça. Dr. Sayão me tinha como filha e compreendia o meu conflito, também, desconhecido por ele.

Passando pela Vila do IAPI, e entrei. Havia um acampamento de hospital de socorro. Depois de muito custo, sentei-me à frente do cientista, e fui expondo, contando tudo que se passava comigo.

Senti “alguém” que vinha nos perturbar. Realmente alguém chegou em minhas costas. Era o pai do psiquiatra, que havia morrido há 62 dias. Comecei a ficar com a voz ofegante, e aquela situação me oprimia. Como explicar o que eu estava sentindo ao jovem médico?

Comecei a fazer mímica, apontando, com o polegar, o lugar, o mortinho ao meu lado.

Ele apenas dizia: “Não‚ nada! Não‚ nada!…” porém, quando eu fazia menção de me levantar, ele se resguardava, com medo.

E o mortinho insistia: – “Diga a ele, diga que eu sou o Juca, o seu pai, diga…” eu nada dizia.

Por fim, eu gritei: “Chega de vocês, figurinhas, me colocarem em ridículo!”

O médico disse alto: “Quietinha… Quietinha… Vamos começar tudo novamente. Quantos anos têm”?

– Respondi: “Tenho… Vou fazer 34 anos”.

De repente, o mortinho voltou, e eu disse: – “Olha, doutor, tem um mortinho aqui diz chamar-se Juca, e diz ser seu pai e que tem 62 dias que morreu…” Foi então que tive a maior prova. O médico levantou-se e quase gritando, falou: “É realmente o meu pai!… Meu adorado paizinho!”

Levantei-me correndo, quebrei a porta do consultório não sei como, pois era uma porta maciça e saí dali, pior do que havia chegado.

O fenômeno, tão real, de nada servira.

Já na minha casa chorava sem esperança. Todavia, mais ou menos uns três dias depois todos foram trabalhar.

Peguei o caminhão e fui descendo a primeira Avenida da Cidade Livre. Súbito, senti que havia atropelado alguém. Frei bruscamente o caminhão, apavorada.

Um guarda que estava ali perto se aproximou para ver o que houvera.

Falei. Ele me olhou, olhou em volta do caminhão, viu a rua sem qualquer sinal do acidente.

Contei-lhe, então, o que estava acontecendo comigo, e ele me falou: “Procure um terreiro morena…” Saí dali em conflito, um profundo conflito. Desci até o bar do japonês, e resolvi parar.

Ia lavar o caminhão e não trabalharia mais. Fiquei na porta do bar, que ficava no posto, em frente a um estacionamento da única empresa de ônibus. Algumas pessoas esperavam a condução para partir para diversos lugares.

Foi então que vi, na cabeça de um jovem de mais ou menos 26 anos, como que uma imagem de televisão. Projetava uma mulher de vestido branco de bolas vermelhas, que se movimentava, portando uma sombrinha azul escura.

Vi os dois se beijando, na projeção. Porém, o jovem, embaixo desse quadro, não se movimentava. Alguns segundos depois vi aquela mulher virando uma esquina.

Ela chegou, fechou a sombrinha, e os dois se beijaram, repetindo, detalhe por detalhe, o que eu vira na projeção. Nisso, uma voz falou em meu ouvido: “Tens o poder de prever o futuro e o presente!”

De repente, enquanto os dois estavam se beijando, os vi em nova projeção: o ônibus chegando e eles embarcando, para pouco tempo depois, o ônibus tombar. Vi seis mortos, entre os quais estava a mulher com o vestido de bolas vermelhas.

Senti que estava claro que iriam morrer naquela curva, ali perto. “Não deixarei” pensei. E, na disposição de salvá-los corri e segurei no braço do jovem, puxando-o para o bar.

A mulher veio em cima de mim, descompondo-me. E eu me limitava a dizer: “Quero apenas salvar vocês!” Mas era pior.

Enquanto isso, o ônibus chegou e partiu. Nem o vi, pois me defendia dos ataques da mulher. O japonês e sua esposa vieram em meu socorro, então pude contar o que vira. Seria apenas esperar um pouco.

A curva era perto dali. Apesar das explicações, a mulher continuava a me atacar, louca de ciúmes. E eu imersa num pensamento, será verdade? Como terminará tudo isso? Meu Deus! Em seguida ouvimos um barulho. O ônibus tombara! Gritos, correrias, e a notícia de que haviam quatro mortos.

Convencidos, o casal se desmanchou em agradecimentos, porém, eu não sabia o que me ia à alma.

Somente uma coisa percebi, conheço o presente, o passado e posso evitar o futuro, se Deus permitir.

Saí dali sem saber como. Caminhava só, sozinha pensava; “Adeus minha mocidade. Porém, seja o que Deus quiser”.

Apesar das pessoas me assediarem com pedidos, aborrecendo-me, de uma coisa eu estava certa: pisava ponderadamente no chão e tinha, dentro de mim, a individualidade.

O meu raciocínio descobrira o que significava a minha missão.

Sim, filho! Devagar, chegaremos à nossa realidade.

Com carinho, a Mãe em Cristo Jesus! Tia Neiva.